segunda-feira, 28 de março de 2011

#03# A Loira do Banheiro#


Zeca
Nada mal pra começar um dia. Chuva.
Que bosta, cheguei na escola todo ensopado. O ônibus ainda ficou preso num engarrafamento, me deixando ainda mais atrasado. Cheguei à porta da minha sala de aula, mas o coordenador me impediu.

-Atrasado novamente, não é, José? - Ele perguntou, movendo aquele bigode seboso igual à Feiticeira move seu nariz. Só não ri na cara dele porque isso me daria uma suspensão nova na minha ficha.
-Poisé, sabe como é... - Falei, apontando para a janela ao nosso lado, que impedia que o temporal cinzento alagasse o prédio. Estava tão escuro que as luzes precisaram ser acesas às sete da manhã.
-Esse já é seu seu segundo atraso, senhor José. Devo dizer que na próxima terei de exclui-lo. Vá para a biblioteca estudar um pouco.
Ah vá.
-Tudo bem. Volto na segunda aula, chefia.- Falei dando um tchauzinho furtivo pro coordenador. Porra, esse cara vive na minha cola. Eu meio que desconfio dele. O cara só vive com aquelas roupas sociais, ouve Diana Ross ( vi um CD dela uma vez no carro dele) e fez cirurgia pra redução de queda de cabelo? Hmm, boiola...
O Ugo e o Leo devem estar se perguntando se eu faltei de novo, pensei comigo mesmo. Provavelmente o Leo estava anotando a aula todinha para depois passar pra mim detalhadamente. Que gracinha. Então, pensei, não tô muito afim de ir pra biblioteca. Eu não ia fazer nada lá, só ouvir meu iPod e tentar ler a Rolling Stones que trouxe na mochila...
Mas foi ai que senti uma onda terrível de medo no ar. Como bruxo, tenho uma empatia sobrenatural com a natureza, e o ar estava com um sentimento de medo muito forte. E estava perto de mim. Alguém estava simplesmente em pânico naquele momento, ao meu lado. Mas não havia nada lá. A não ser o banheiro masculino.
Cheguei até a porta, mas não queria abrir. Pude ver que o trinco não estava levantado, não estava trancada. Tentei de novo, e sem sucesso. Já ia desistir quando ouvi um grito vindo de lá. Eu precisava entrar. Resolvi apelar pra magia. Fechei os olhos e os abri de novo lentamente. Senti minhas córneas esquentarem, minha pupila adquirindo outra cor.
Abre. AGORA!
A porta se abriu num estrondo e vi tudo muito rápido: Dois garotos estavam lá. Um caído no chão, e outro sendo agarrado pelo pescoço por uma mão branca vinda de dentro de um box. Era esquelética e enrugada, algo pertubador de se ver. O garoto abriu a boca mais uma vez e... Caiu morto no chão. Ao longe, um trovão rugiu. O outro garoto tremia como um condenado, e não pude evitar: Também cai de bunda no chão, observando aquela cena com pavor.
Nem percebi quando uma professora e o zelador apareceram atrás de mim e soltaram exclamações de horror. O zelador foi correndo chamar alguém, enquanto a professora tentou me levantar e ver se eu estava bem. No fim, eu fui chamado à diretoria, não pra ser julgado nem nada, só pra dar meu testemunho. Eu disse tudo o que tinha feito claramente, omitindo é claro a parte que eu explodi a trinca da porta com meu poder da mente. Fui declarado inocente. Levaram o corpo do guri e suspenderam o resto das aulas. Na saída, eu, Leo e Ugo fomos caminhando e conversando sobre o que havia acontecido.
-Eu não tinha ideia do que era aquilo. Veio, foi sinistro pra caralho. Só o que eu vi foi uma mão branca segurando o pescoço dele e soltando de uma vez depois. - Falei.
-Isso é muito estranho. Pode ter sido um homicídio, sei lá? - Ugo questionou.
-Não sei. Mas se foi, com certeza não era humano. - Falei. Leo parou de andar subtamente. Olhamos para ele confusos.
-Como era essa mão? - Ele perguntou.
-Err... Sei lá. Branca. Cadavérica. Fantasmagórica... - Falei, constatando isso.
-Onde ela estava? -Dentro do box, e tava atacando o cara.
-Tinha algum corpo... Algum rosto? - Leo já perguntou, parecendo meio pertubado.
-Não, Leo. Só vi a droga da mão. Aonde tu quer chegar com isso?- Perguntei, já não gostando daonde isso ia dar.
-Cê sabe quem pode ter feito isso, Leo? - Ugo perguntou, calmo mas sério. Leo espremeu a boca, fez cara de choro e assentiu com a cabeça.
-Então, quem foi, porra?! - Perguntei, já sem paciência com aquela viadagem. Ele ainda hesitou em dizer. Mas abriu a boca e as palavras simplesmente saíram.
-A Loira do Banheiro.

Estávamos na minha casa, e eu não conseguia parar de rir ainda. Eu simplesmente não acreditava que o Leo tivesse medo de uma coisa tão ridicula como aquela. Até porque, quem ia ter medo de uma loira? Pô, não são elas o melhor tipo de mulher?
-Mas ela não é mais uma mulher! É um fantasma que aterroriza e mata os garotos nos banheiros públicos.- Leo falou, com cara de leãozinho assustado.
- Ai dentro, véi. Isso é historia pra boi dormir, não existe essa coisa de loira do banheiro. - Falei. Ugo andava muito quieto. Naquele momento, resolveu falar algo.
-Ou talvez não, Zeca. Olhamos para ele. -Pensa bem: Se fosse assim, nós também não existiriamos. Você é um bruxo com tatuagens malucas, o Leo é um lobisomem chorão...
-EI! - Leo reclamou.
-...E eu sou um vampiro de capa e tudo. Todas as lendas existentes estão na boca do povo por algum motivo, por que algo as iniciou. - Ugo completou.
-Falou a voz da sabedoria. - Falei.
-É sério, pô. Vamos, bora ver se tem alguma coisa na internet. - Ugo falou.
-Ah, com certeza tem. Eu já vi um monte. - Leo confessou.
-Hum, sei muito bem que coisas que você viu. - Brinquei enquanto ligava meu computador. Depois de séculos esperando a porcaria da minha internet carregar, procuramos por nossa suspeita no Google. Tinha muitas fotos pornôs ( que acabei guardando no meu arquivo, claro) e umas informações. Achamos um site que dizia o que houvera com a Loira do Banheiro e como faziamos para envocá-la.
Ela era uma típica garota no interior de São Paulo (Não me pergunte aonde) que sofria sempre muito Bullying do pessoal por ser muito esquisitona e por viver gripada. Ela vivia isolada de todos e não fazia mal a ninguém. Até que fizeram mal com ela. Um grupo de encreiqueiros do colégio a encurralaram, arrastaram-na para o banheiro masculino, enfiaram um monte de algodão no seu nariz e depois a estupraram até não poder mais. Ela acabou morrendo. Desesperados, jogaram o cadáver num box. No dia seguinte, nenhum corpo foi encontrado. E em uma semana, todos os caras que fizeram mal a ela morreram. Todos dentro do banheiro.
-Então ela resolveu dar uma de Carrie a Estranha e matou os viadim que estupraram ela. Típico.
-Caralho, como tu brinca com um negócio desses? -Leo me repreendeu. - Não dá pra perceber que a coisa é séria? Tem um fantasma assassino no banheiro da nossa escola que acabou de matar um colega nosso e deixou outro traumatizado pro resto da vida.
Com as palavras de Leo, resolvi calar a boca.
-É... Tá, foi mal. Acho que exagerei. - Admiti. - Mas o que a gente vai fazer com a loirinha?
-Nós temos que exorcizá-la. Ela tem que ficar em paz, só assim podemos livrar todos dela. - Ugo falou. Depois de minutos de silêncio, percebi um negócio.
-Cara, não dá. Mesmo se exorcisarmos a alma dela, o mau agouro vai estar sempre naquele ambiente. Mesmo sem as mortes, a energia negativa vai estar sempre impregnada no banheiro, e isso vai acabar atraindo outros espiritos do mal. Ugo franziu a testa, ainda mais sério. Não sabiamos o que fazer. Até que...
-Ahá!- Leo exclamou, erguendo um dedo para o alto.
-Opa! O leãozinho teve uma ideia. - Falei, fazendo Ugo rir.
-Leãozinho é o caralho. - Leo falou, me mostrando a língua.
- Eu pensei no seguinte. Por que nós não oferecemos a alma dela pros Deuses? Talvez assim eles absorvam a negatividade e a mandem pra um lugar melhor.
-Réé... Olha só! Nosso loirinho do banheiro evoluindo! - Eu disse, raspando meu punho cerrado no cucuruto dele.
-Então tá combinado, né? A gente vai lá hoje à noite. - Ugo determinou.


-Cara, eu sinceramente ODEIO ter que voltar pro colégio a essa hora quando eu podia estar vendo o Pânico na Tv. - Falei, cruzando os braços emburrado. Nós três estavamos com jaquetas moletom com capuz e calças até o joelhos. Mais pareciamos criminosos. Chegamos ao muro do colégio e olhamos ao redor, nos certificando de que não havia ninguém por ali.
Por fim, nos concentramos: Senti o calor sobrenatural subindo pela minha espinha, dançando pelas minhas costas, meu rosto, e circulando ao redor dos meus braços. Senti meus ossos estalando, se estendendo, ficando mais firmes, e assim percebi que chegou a hora.

-Eu sou... - Comecei.
-...FERA!- Urramos juntos e "explodimos".
Pulamos o muro e fomos rapidamente até o terceiro andar do segundo prédio. Lá ficava a biblioteca e os banheiros. Ainda bem que nossa visão não é mais humana, por que aquilo estava escuro demais pra alguém normal enxergar.
-Muito bem, vamos revisar primeiro. - Ugo disse, parando perto da escada do segundo andar e tirando uma pequena tesoura de uma polchete que ele trazia.
-Pra quê isso? - Perguntei.
-É pra invocar a Loira. Tem que fazer um ritualzinho meio... ridículo.- Leo explicou. Ok, eu só queria acabar logo com isso e esquecer aquela cena de matança daquela manhã. Chegamos ao banheiro masculino. Nos preparamos para entrar, mas Leo soltou um "Auf!".
-Que é que foi?- Ugo perguntou.
-Esqueci de um detalhe... - Ele disse, fazendo cara de cachorro culpado.
-E seria...?- Perguntei.
-É que...O ritual só pode ser feito por uma pessoa sozinha. É o que diz aqui. - Ele disse, tirando um papel de dentro do bolso. Suspirei, irritado.
-Ok, vamos no Zerinho ou Um. Botamos as mãos para trás do corpo.
-Zerinho... Ou...Um! - Falamos, estendendo as mãos. Eu e Guto tinhamos os punhos cerrados, enquanto Leo tinha a pata aberta. Eu e o "Conde" sorrimos aliviados.
-Ei, isso não vale! Não dá pra fechar minha pata com essas unhas. - Leo reclamou.
-Ah, perdeu mané. Entra lá. - Falei. Leo entrou, e deixamos uma brecha da porta aberta. O lobinho entrou lá, hesitando. Parou, olhou pra trás e nos viu.
-Não se preocupa. Estamos aqui. - Ugo o tranquilizou. Leo avançou, colocou a tesoura em cima do ralo debaixo da pia, entrou dentro de um box rapidamente, apertou a descarga três vezes e saiu apressado. Depois, tremendo, começou a xingar o ar:
-Va...Vagabunda. Filha da... Pu... Puta. Caralho! - Ele exclamou. Esperamos um minuto. Nada. Me apoiei no chão e esperei por ela.
-Ela deve estar retocando a maquiagem. - Falei. Ugo me repreendeu com o olhar e entrou no banheiro. O segui e nos juntamos a Leo. Nem sinal da Loira. Pensei cedo demais.
Ao darmos as costas, demos de cara com um rosto branco com olhos enormes e assustadores emoldurados por um monte emaranhado de cabelo loiro-sujo olhando para nós. Gritamos de susto, e vi Leo escondendo a cauda de lobo debaixo das pernas. Ela ficou lá, nos observando por um momento. Depois foi abrindo a boca lentamente, e vimos que o maxilar dela ia se despregando de sua pele, tornando sua boca imensa, mostrando dentes afiados e manchados de sangue. Caralho, eu nunca tinha visto um espirito maligno assim tão de perto. Minhas pernas estavam tremendo, cara.
-Zeca, o feitiço! - Ugo exclamou. Eu estava, tipo, paralisado! Aquela fantasma olhou bem dentro dos meus olhos, e percebi que ela tinha algodões enfiados dentro do nariz. E manchados de sangue. -Zeca, depressa!!
-A...Alma corrompida pelo pavor...
A Loira do Banheiro deu um guincho tão alto e repentino que me calei na hora. Leo deu um grito atrás de nós. Ela estava lá, agarrando ele pelas costas, deixando-o imobilizado. Leo tentou se defender, mas ela parecia ser bem mais forte do que ele. Ugo, desesperado, estendeu as mãos e colocou-as à sua frente.
-VENTOS!!
Uma rajada de vento saiu de trás de nós e atingiu Leo e a Loira, jogando-os contra a parede. Leo caiu de joelhos no chão, mas a Loira se dissolveu em água. Essa era minha chance. Mirei a poça da Loira antes que ela sumisse, e a levitei com a mente. Ela tentava escapar, mas eu sou bem mais foda.
-Vamos, Leo. Vamos fazer um círculo. - Ugo falou, ajudando Leo a andar até nós. Prendi a Loira no nosso espaço, que já havia se materializado em fantasma.
-Porra! As velas! - Ugo lembrou, parecendo desesperado.
-Não seja por isso. - Falei. Fechei os olhos e os abri de súbito, criando um circulo de fogo ao nosso redor.
-Você não pode mais passar, gata. - Avisei à Loira. Ela fez uma cara de brava e rugiu bem na minha cara, me deixando arrepiado. Ela ia se dissipar pelas paredes, mas eu agi:
-Alma corrompida pelo pavor,
Nós lhe oferecemos o amor...
A Loira se contorceu com minhas palavras, pendendo o pescoço pra trás, pra frente, pro lado, como se ela não tivesse ossos.
-Da escuridão viemos lhe tirar
e para a paz eterna lhe entregar.
Ela se contorceu ainda mais, e lutava para se libertar de nós. Leo rosnou para ela, mas foi inutil.
-Repitam comigo! - Gritei, mesmo com os guinchos dela abafando minha voz. Eles me ouviram. Recitamos juntos:

-Alma corrompida pelo pavor,
Nós lhe oferecemos o amor.
Da escuridão viemos lhe tirar
e para a paz eterna lhe entregar.

Então, uma corrente branca e brilhante prendeu a Loira do Banheiro no chão. Olhei para meus amigos, e assentimos fizemos o feitiço de entrega aos Deuses.
- Deuses do Além
Seus servos aqui convém
Para entregar-lhe ódio e agonia
Para que transformem em bem e alegria.
E assim, a Loira do Banheiro se recontorceu mais uma vez, e depois parou. Ela ficou rija no lugar, Deixou o cabelo loiro sujo e manchado de sangue corbrir seu rosto. Aos poucos, sua roupa branca foi ficando mais brilhante, perdendo o ar fantasmagórico. Em pouco tempo ela estava brilhando por completo. Então, ela afastou o cabelo do rosto e sorriu para nós. Bicho, ela era gata. Eu pegava.
- Muito obrigada...
E assim, ela partiu.
Caimos no chão exaustos.


PORRA! Cheguei atrasado de novo. Que saco. Mas, ainda bem que eu tinha uma carta na manga. Enquanto subia as escadas, inventei um feitiço. Ouvi o coordenador dando passos na escada, se aproximando de mim.
-Você não está me vendo, eu sou uma sombra
Vou passar por você, e você não vai dar conta
Agora entro na sala e vou embora
Enquanto você arranca esse bigode fora.- Eu recitei num sussurro.
Ele passou por mim rapidamente, sem me ver. Fui de mansinho até minha sala e entrei, sentando na carteira do meio da sala, próxima à de Ugo e atrás da de Leo.
-O coordenador te deixou entrar? - Ugo perguntou. Sorri, pondo os braços atrás do pescoço, relaxado.
-Bom, digamos que eu fui um pouco mais discreto. Hehe...
Então, dois caras olharam para Leo e sussurraram pra ele:
-Ei, Leo, cê acredita no que tão falando por ai?
-O que é?- Meu amigo perguntou.
-Que a Loira do Banheiro está aqui, no nosso colégio, lá no banheiro masculino. - O garoto falou.
-Ah, que é isso, man. Essas coisa não existem. - Leo falou. Depois, ele olhou para mim e para Ugo. Nós três sorrimos, sem nenhum motivo.

domingo, 27 de março de 2011

#02#Perigo numa viela#


Leo


Noite de sábado.

Os últimos carros de funcionários publicos já se recolheram. Não havia nenhuma alma viva naquela rua.


Apenas uma senhora que voltava da missa. Devia ser um saco ter que passar por oito quarteirões e ainda passar por uma viela de terra mal iluminada para chegar em casa.

Como todas as senhoras que já vi, esta voltava toda arrumada da cerimônia, com vestidos próprios para sua idade, daqueles que a Rainha Elizabeth já deve ter se cansado, e um penteado volumoso de séculos de atraso.

Ela entrou na viela sossegadamente, sem perceber três vultos saindo de dentro das sombras e seguir o mesmo caminho que o seu. O mais alto dos três tinha um boé surrado, um colar de correntes prateado no pescoço e roupas folgadas demais para seu tamanho; os outros tinham seu mesmo estilo, com um detalhe ou outro diferente. Não demorou muito pra que eles alcançacem a mulher, e a empurrassem contra a parede molhada.

-Perdeu,perdeu, coroa! Passa a bolsa! - O mais alto falou, enquanto os outros dois a seguravam e tentavam conter seus tapas. Ela esperneava por ajuda e se debatia, mas ele abafaram seus gritos pondo a mão no seu pescoço.

-Me...Meninos, vocês deveriam estar es..tu..dando, fazendo algo de bom da vida de voc...

-Cala a boca, porra! E passa logo a merda da bolsa! - O líder deles bufou.

Então, um ruido foi ouvido. Passos rápidos foram ouvidos de cima do telhado de uma das casas que constituia a viela. Um dos assaltantes olhou para o lado, e viu de relance alguém passando por ali e sumindo na escuridão.


A lua estava tão linda... Que resolvi uivar pra ela.


AUUUUUUUUUUUU....


-Que porra foi essa?! - O líder dos três perguntou, tirando a atenção da senhora e olhando pros lados. A dona tremia mais que vara verde.

Um dos poucos postes que ali haviam se apagou. Sozinho.

Uma risada de garoto ouviu-se ao longe.

Os assaltantes soltaram a velha e deixaram-na escorregar até o chão. O líder dos três tirou um revolver de dentro da calça (não me pergunte de que parte) e a apontou para a escuridão do beco.

-Quem é que tá ai?

Nada. Só o sibilo do vento.

-Chefe, vamo vazar daqui... - Um dos comparsas falou, os olhos arregalados olhando para as paredes.

-Cala a boca, porra. Quem é que tá ai, caralho?! - O líder perguntou novamente. Ele apertou o trinco da arma e já ia apertar o gatilho.


-Zeca. - Ugo falou.

De repente, uma lata de lixo veio voando das sombras e atingiu um dos comparsas, fazendo-o cair de cara no chão. Os outros dois se assustaram e ficaram alerta. A senhora se encolheu na parede e tirou o terço cor-de-rosa do bolso, apertando-o contra as mãos cerradas.

-Aparece, covarde! Ou vai tomar bala nas fuças! - O líder falou, não conseguindo desfarçar as mãos trêmulas. O outro comparsa olhava para os lados e já tinha tirado o estilete de dentro do bolso.


-Leo. - Zeca falou.

Ótimo. Adoro quando chega minha vez.

Minha cartada foi rápida. Estava em cima do telhado, observando a tudo como um espectador assiste um circo. Ericei meu corpo, pulhei do telhado, mirei o alvo, e saltei de encontro ao outro comparsa, certificando-me de estar sempre rugindo. Dei-lhe uma dentada na costela, que aliás era magra demais, e o fiz gritar a plenos pulmões. Com seu sangue na boca, levantei o rosto e olhei para o líder.


-Ugo. - Falei.

O cara alto e sisudo vascilou, andou de costas e bateu-as de encontro a uma parede. Ele mal teve tempo de respirar: Ugo surgiu detrás dele, agarrou seu peito e sua cabeça e cravou os dentes em seu pescoço. O líder deu um grito desesperado e ainda se contorceu um pouco, mas acabou caindo derrotado no chão.

Enfim, nós três nos reunimos perto dos corpos. Ugo pegou seu anel vermelho, eu peguei meu colar de três folhinhas de prata e Zeca pegou a pulseira de spike verde. Nós nos agachamos e aproximamos as jóias de nossas vitimas. Então, sairam três fumaças quase imperceptiveis de dentro de seus corpos. Nossas jóias começaram a brilhar, e absorveram as fumacinhas, perdendo o brilho completamente. Tendo a missão cumprida, nos voltamos para a senhora. Ela continuava encolhida no chão, encolhida e apavorada, e agora gemia de medo ao ver nossas três figuras.

Ergui minha mão (pata). Virei a palma para baixo. Mostrei os dentes e...

-Dez reais pelo salvamento, senhora! - Eu falei, tentando parecer simpático. Bom, não tinha nada mais justo do que salvar a vida dela e ganhar um dinheirinho em troca né? Afinal, salvar velhinhas não é a coisa mais prazerosa de se fazer. Mas, como eu esperava, a senhora levantou-se desajeitadamente e correu o mais rápido que uma mulher daquela idade pode correr.

Zeca balançou a cabeça e fez "Tsc,Tsc".

-É... O pessoal sempre foge. -Ele falou.

-Sabia que trabalho comunitário não ia dar em nada. - Falei, fazendo beicinho. Pô, eu bem que queria comprar um novo mangá com os dez reais.

-Bom, já fizemos o que tinhamos de fazer. Agora, vamos completar a missão. - Ugo falou, e nós três demos saltos altos no ar e desaparecemos noite adentro.


Uns minutos depois, lá pelas 19:50, estávamos em nosso quartel general, uma casa abandonada no centro. Onde tudo começara.

Chegamos na parte da frente, já tendo pulado o muro. Zeca foi até a porta e mexeu no bolso da calça preta surrada. Abaixou o capuz para enxergar melhor.

-Ah, me diz que cê não esqueceu. - Ugo disse.

-Peraê, cara. Tô procurando aqui, eu acho... - Zeca olhou para baixo e viu algo brilhando perto do carpete. - Ah! Tá aqui.

Ele abriu a porta e entramos no casarão escuro. Zeca estalou os dedos e as lâmpadas se abriram como que por mágica. Bom, foi mágica. Era um lugar muito legal de se estar. Tinha uma tevê de 30 polegadas em cima de um rack velho num canto da sala, um sofá florido num canto e um enorme espaço com quatro velas no chão. Ouvimos um sibilar. Olhamos ao mesmo tempo para trás e vimos um casal simpático sorrindo para nós. Ele tinha óculos do tipo fundo de garrafa, uma bata branca e calça folgada branca, e ela tinha um enorme vestido branco cobrindo-lhe o corpo quase todo, e um cabelo dourado caindo em ondas secas e espessas pelas suas costas e ombros.

-Que bom tê-los aqui, meninos. Tanto tempo que não nos vemos. - Clara, a moça de branco, falou, a voz macia e doce como favo de mel.

-É, sabe como é né... Essa vida é foda. - Zeca falou, caindo relaxado no sofá.

-Vão querer um chá com biscoitos? Ainda temos alguns na conserva...- Alvo nos ofereceu, movendo-se pela sala sem tocar no chão.

-Não, obrigado, Alvo. Ainda temos que entregar as oferendas. Levanta, Zeca. Acende as velas. - Ugo mandou.

-Pô, eu tenho que fazer tudo é? - Ele reclamou. Depois estendeu a mão e apontou para cada vela, e a cada uma que apontava, aparecia uma chama nelas. Fizemos um circulo ao redor delas e tiramos nossas jóias. Zeca estufou o peito e recitou:


-Deuses do Além

Seus servos aqui convém

Para entregar-lhes ódio e agonia

Para que se transformem em bem e alegria.


Assim que ele terminou de recitar o feitiço, um vento sobrenatural nos rodeou, indicando a resposta dos deuses. As fumaças que estavam presas no anel, na pulseira e no colar sairam de seus recipientes e se transformaram em luz. Em seguida, as três luzes se uniram e se dissiparam na luz vermelha que surgiu no chão, alimentando os Deuses do Submundo com sua negatividade.

Mais um dia de trabalho feito. Cansado, cai sentado no chão, e senti meus pêlos desaparecendo e meu corpo voltando a ser humano novamente. Meus amigos também voltaram ao normal, e sentamos no sofá juntos. Alvo e Clara se aproximaram de nós com seus sorrisos confortaveis. Não consegui evitar de sorrir de volta.

-Pelo menos um leitinho?- Clara perguntou com a mão erguida, que segurava três copos de leite flutuantes. Nós três sorrimos agradecidos.

-Vocês são os fantasmas mais camaradas que já conhecemos. - Zeca falou.


Depois de bebermos o leite, nos aproximamos da porta da despensa. A abrimos e nos deparamos com uma completa escuridão lá dentro. Demos tchau a Clara e Alvo e entramos no portal. No completo escuro, nos despedimos.

-Até amanhã, gente. - Falei.

-Tchau, pessoal. - Ugo se despediu.

-Falou, meus garotos. - Zeca disse.

Fechei os olhos e os abri. Agora estava em frente à minha casa, pronto para deitar em minha cama e ouvir meus irmãos berrando de novo. Antes de entrar, olhei para a lua brilhante no céu. Sorri. E dei um ultimo uivo.

AAAUUUUUUUUU!!

sábado, 26 de março de 2011

# 01 #Partida nada amistosa.#


Ugo

A arquibancada nem estava tão lotada assim. Pelo menos do lado do meu time só vi Zeca e Léo na primeira arquibancada. O jogo estava muito fácil. O time do Edu avançava em mim, mas eu desviava com agilidade. Era como se eu fosse elástico e passasse por enormes paredões com a bola no pé.


Cheguei no gol. Preparei pra dar uma bicicleta, mas Léo me desconcentrou.


-Vai nessa, Ugo! - Ele gritou.


Pô, logo que eu ia dar uma digna de Ronaldinho Gaucho. Mas consegui virar o jogo. Girei o corpo num ângulo de noventa graus e chutei com toda minha força a bola dentro do gol. O goleiro deu de cara com o gramado alto do campo, e a bola quase pôs fosco na rede, de tanta fumaça que saiu. Bati na mão do pessoal do meu time e fui cumprimentar meus amigos. O Leo me deu um abraço e me parabenizou, dramático como sempre, e o Zeca me deu um aperto de mão e um abraço.


-Véi, tu tá fedendo. - Ele falou. Sincero como sempre.


Então, o mal perdedor veio cortar o clima.


-Esse joguinho de merda não significou nada. Eu posso ganhar de ti com os olhos vendados. - Edu falou, se aproximando de nós com uma catinga de suor danada. Bem, eu não podia reclamar, talvez eu estivesse pior que ele.


-Ah, qualé Edu! Isso é só um amistoso, não é um campeonato nem nada não. Uma partida dessa não vai... - Eu tentei falar, mas ele me cortou:


-E quem disse que é amistoso? - Ele disse, emburrado. - Eu ganharia de ti num campeonato com os olhos vendados, mermão.


-Tá, já ouvi da primeira vez.


-Eu falo o que eu quiser, porra! - Edu resmungou, avançando em mim com aquele peito de pavão dele. Cara, que bicho ridiculo.


-Idiota. - Leo falou. Olhei para ele e depois para Edu, e vi que o ultimo ficou puto.


-Como é que é rapá? - Ele perguntou, esbarrando em mim e praticamente subindo a grade que separa a arquibancada do campo. Edu encarou Leo com raiva, e meu amigo engoliu em seco.


- Que é que tu tá falando ai? - Perguntou, trincando os dentes.


-Na-Na-Nada, Edu. - Leo gaguejou.


-Tu toma cuidado com o que tu fala ou perde a língua! - Ele ameaçou. Ah, assim já era demais. Eu ia dizer umas poucas e boas pra ele, mas Zeca fez isso por mim.


-Caralho, tu continua sendo o crianção de sempre, né Edu? - Ele falou, com os braços cruzados, encostado relaxadamente na grade- A gente te conhece desde a primeira série e cê continua sendo o filinho papai debilóide que quer tudo do seu jeito. Vê se cresce, mano!

-Ah, tu também cala essa tua boca que eu sou bem melhor que você. Pelo menos eu não sou um favelado que nem você que se acha um tal só porque é branco.


Caraca... Isso não ia acabar bem. O Zeca ficou com um olhar furioso, praticamente de ira. Edu começou a rir, achando que o silêncio de Zeca lhe designara a derrota. Porém, meu amigo olhou para as pernas de Edu, moveu dois dedos discretamente e o brutamontes idiota caiu estatelado no chão, como se suas pernas tivessem tropeçado por... Mágica.


Ele se recompôs ( ou não) e apontou o dedo na minha cara.

-Revanche hoje às 19:00horas, nesse campo. -Edu falou. Até parece que eu ia seguir uma ordem dele.

-E se eu não quiser vir? - Eu perguntei.

-Por que? Tá com medo, bichinha? - Edu perguntou, rindo como debiloide junto dos outros mongóis do seu time.

-Combinado. Às 19:00 nesse campo. - Eu falei. Não queria obedecer a ele, mas eu não sou de recusar desafio. Edu, Graças a Deus, foi embora dali com sua trupe.

Então, cutucaram meu ombro.

-Foi mal, Ugo, mas eu não vou poder ir. - Rafa, o artilheiro do meu time sussurrou.

-É eu também. - O Tiagho, o goleiro falou em seguida. Não foi preciso pensar muito em quem iria substituir os dois.

-Esquenta não. O Leo e o Zeca ficam no lugar de vocês. - Eu disse.

-COMO É QUE É?! - Meus dois amigos perguntaram em uníssono. Sorri, sabendo que depois de muita discussão eles cederiam.


Mais tarde naquela mesma noite, chegamos lá pelas 19:26h. O resto do time estava atrasado, e só nós três estávamos lá. O campo de futebol estava um breu, e parecia maior à noite.

-Cadê aquele viado? Eu tenho coisas importantes pra fazer.- Zeca falou.

-Sério? Tipo, estudar? - Perguntei.

-Er... Não! Ouvir meu novo estéreo que ganhei de presente de natal. Continua novinho. Tô doido pra levar ele lá pra lage do meu tio e convidar as menina pra dançar um funk... Hahá! - Ele falou.

-Legal. A gente pode ir?- Leo perguntou.

-Claro, véi. Mas, acho que cê não vai pegar ninguém né, Leo. Já que cê tá afim da Sharon. - Zeca falou, balançando as sobrancelhas e desenhando duas curvas no ar ao falar o nome "Sharon".

-Ah que é isso, ela é só minha amiga. - Ele falou.

-Amiga que cê quer comer. - Zeca disse.

-Ei, pô! Olha a tua boca, mermão!- Eu falei, vendo Leo enrubescer.

-Num é nada disso, Zeca. Ela me vê só como amigo. Então é isso que a gente é. - Leo falou, fazendo a sua tipica cara de cachorrinho abandonado.


Deixando nosso papo de lado, estavamos quase indo embora, quando ouvimos um barulho estranho no pequeno portão de saída do campo. O trinco tinha sido trancado, e ouvimos risadinhas do outro lado.
-Ah, não acredito nisso. - Falei, correndo até o portão junto de meus amigos. Já era tarde. Do outro lado, Edu e seus seguidores riam da nossa desgraça.
-Se divirtam com o jogo aê, idiotas! - Ele gritou, fazendo seus amigos rirem. Caralho, como eu odeio aquele cara. Eles foram embora calmamente ignorando nossos gritos.
-Eduu!! Tira a gente daqui, agora!! - Eu gritei.
-Puta merda!! Sabia que tinha coisa no meio!! - Zeca também gritou.
-Por que essas coisas sempre acontecem com a gente?!! - Leo choramingou. Fiquei com tanta raiva, raiva de ter acreditado que Edu ia mesmo fazer um jogo limpo, que comecei a sentir aquele familiar calafrio na espinha. Percebi que meus amigos também estavam começando a mudar. Leo contorceu o pescoço e ouvi o barulhos dos seus ossos. Os olhos do Zeca estavam arregalados, mas sua pupila tinha desaparecendo, dando lugar a uma orbita totalmente branca no globo ocular. Até que chegou a hora. Todos nós inspiramos o ar.
-Eu sou... FERA!
Nós três rugimos juntos e meio que "explodimos". Agora nossa pele estava completamente diferente. Leo estava todo peludo, tinha um fucinho, pelos amarelados pelo corpo todo, orelhas pontudas no alto da cabeça e um short jeans quase rasgado cobrindo seu tesouro masculino. o Zeca não estava no chão. Ele estava de pernas cruzadas levitando no ar, a pele de um tom meio pálido, descalço, com uma camisa regata com capuz preta com detalhes prateados, e tatuagens intricadas em seus braços. Enquanto a mim, eu sabia que meus olhos estavam amarelos como lâmpadas e que minhas presas haviam crescido. Estava com uma enorme capa preta com uma gola que cobria quase toda minha cabeça, sem camisa, só com umas mangas pretas de roqueiro e calça preta rasgada.
Sem mais delongas, tratamos de sair dali: Dei um salto mortal para trás e alcancei seis metros de altura e pousei na calçada de pé; Léo escalou as paredes rapidamente e Zeca voou até o lado de fora.
-Que tal darmos uma lição em alguém? - Zeca perguntou, erguendo a palma da mão e soltando faíscas. Suas tatuagens começaram a brilhar, ao proverem seu poder.
-Não podemos matar ninguém. Sabe disso. - Falei.
-Mas eu bem que gostaria de dilacerar a garganta daquele filho da puta...- Leo rosnou, afiando as garras no chão da calçada.
- Você não faz ideia do quanto eu gostaria de fazer isso, mas não podemos. Se matarmos alguém próximo de nós vão acabar nos descobrindo e entraremos em problema com a polícia e com os Deuses... - Mal acabei de falar, um relâmpago soou ao longe, como se fosse uma resposta dos nossos soberanos.
-Acho que eles querem um pouco de força vital. Vamos nessa. - Zeca disse, impaciente.
-Ok, vamos. Mas não... O... Matem. - Mandei.
-Tá bom, mãe. Só vou brincar um pouquinho com ele. - Zeca sibilou, fazendo Leo rir como uma hiena. Admito que sorri também.
Não foi dificil achar Edu e sua turma. Eles estavam fumando e bebendo cerveja perto de uma construção abandonada ali perto. Que nojo.
Resolvemos assustá-los um pouco.
Edu ria de bêbado, falando porcarias e mais porcarias. Um dos carinhas falava de um fliperama que tinha um jogo de pinball em que a bola batia nos seios de uma boneca virtual e os seios balançavam como gelatina. Isso fez a cambada de idiotas rir mais ainda. Foi ai que ouviram um barulho vindo da construção.
Um dos caras olhou para trás assustado.
-Cê ouviu isso, Edu?- Ele perguntou.
-Ouvi o quê, caralho?! - Edu perguntou, ainda rindo e arrotando de tão bêbado que estava. O barulho de novo, dessa vez seguido de um vulto ao longe.
-Caralho! - Um dos caras falou, morrendo de medo. Edu se ergueu, e deu um ultimo arroto.
-Quem é que tá ai? - Ele perguntou berrando. Sem resposta. - Responde, porráá!!
Então, a garrafa de cerveja se mexeu. Todos se calaram e a observaram. Zeca estava do meu lado, e ele fez um movimento com a mão, movimentando a garrafa também, como um marionete. Ela caiu no chao e rodou, rodou, rodou... E apontou para um dos caras, que quase cagou nas calças de tanto susto. Ele olhou pros lados, apavorado. Tudo ficou em silêncio.
Até que Zeca o puxou para a escuridão.
Os outros amigos de Edu gritaram de pavor, e se juntaram a ele, praticamente abraçando-o de medo. Edu também não estava nada tranquilo, apesar de estar fedendo a alcool. Então, demos nossa entrada triunfal.
Nós três aparecemos na frente deles, Leo com o amigo de Edu nos braços. Ele o soltou e se juntou aos outros, que já deviam ter se mijado todinhos.
-Quem são vocês? - Edu perguntou, tremendo como vara verde. Aproximamo-nos deles, olhamos bem em seus olhos e...
-Somos seu pior pesadelo. - Falamos juntos, abrindo a boca num quase sorriso e mostrando nossos dentes salientes. TODOS eles gritaram como garotinhas e sairam correndo dali.
Mas antes de irem embora, nos divertimos um pouco. Leo voou nas costas de Edu e o arranhou com suas garras, fazendo-o gritar de dor. Eu ergui minha mão e vi fumaças quase imperceptiveis sairem de dentro dos corpos de todos eles e irem até mim, enchendo-me com suas energias vitais. Os que não tinham sido atacados continuaram a correr, até que Zeca ergueu a mão no ar, fez tatuagens brilharem, e derrubou todos os garotos com o poder da mente.
- Nao esquenta. Essa mordida vai sair ao nascer do sol. - Leo falou para Edu, que com certeza não ouvira estando estatelado no chao. Os outros pareciam estar bem, só atordoados.
Então, passamos por um beco e voltamos à nossa forma humana.
Nunca rimos tanto da desgraça alheia. Apesar de me sentir um pouco cupado pelo que fizera, acho que o Edu teria feito o mesmo conosco se tivesse chance. Ah, ele que se lasque.
E sumimos noite adentro.

-Prólogo-


"Desde os primórdios do mundo, criaturas do submundo vagam pela terra, sendo temidas e às vezes veneradas por humanos. Porém, como todos os outros seres, as criaturas das trevas também tinham a quem obedecer. Eles eram gorvenados pelos Deuses Sombrios, entidades responsaveis pela progação do equilibrio das forças do bem e do mal. Em troca de sua benevolencia, os Deuses lhe ofereciam habilidades extraordinarias sobre os humanos e as forças da natureza. E as criaturas continuaram escondidas em seu mundo de trevas durantes milênios...
Até agora."